

Juarez Machado Garcia e Luso Brasileira na vanguarda do tempo.
As empresas prestadoras de serviço de limpeza e conservação certamente não seriam as mesmas sem as ações do economista e Grande Benemérito da ACRJ Juarez Machado Garcia. Explica-se: Juarez foi o primeiro empresário da área que se preocupou em profissionalizar o setor.
Depois de anos de luta disseminando dessa profissionalização através de palestras, seminários e reuniões por todo país, em 1946 Juarez Machado Garcia conseguiu fundar a Associação das Empresas Prestadoras de Serviços do Rio de Janeiro. Daí foi um passo para liderar a criação da Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação e tornar-se vice presidente da Federação Mundial das empresas de Serviço de Manutenção Predial na América Latina.
O Jovem de Itaperuna chegou ao Rio de Janeiro com 18 anos e logo conseguiu seu primeiro emprego como auxiliar de escritório numa construtora. A empresa lhe proporcionou cursos de datilografia e taquigrafia e, ao termino da obra de um edifício na Avenida Rio Branco, foi convidado para administrar o prédio. O sucesso foi tão grande que até hoje, mais de cinqüenta anos depois, Machado Garcia continua sendo o mesmo administrador.
Depois de dois anos conseguiu comprar uma modesta casa no Engenho Novo, subúrbio da cidade, para onde levou toda família que ainda continuava no interior. Trabalhando durante o dia e estudando a noite, terminou um curso de Contabilidade e fez faculdade de Ciências Econômicas. Como acadêmico, se envolveu em movimentos políticos, embora não se reconheça politizado, participou ativamente do movimento de criação da Universidade do Distrito Federal, atual UERJ, por onde se formou. Acostumado a lidar diariamente com empresas de manutenção predial e funcionários como ascensoristas, eletricistas, bombeiros e porteiros, essenciais para o funcionamento dos edifícios. Juarez recebeu uma proposta de parceria em uma empresa dessa área com o amigo português Antônio dos Santos Reis. Em agosto de 1953 nasceu a Conservadora Luso Brasileira: Antônio, o português, Juarez, o brasileiro. Quatro anos mais tarde, com a volta do amigo para Portugal, Juarez comprou a outra parte da empresa.
A Luso Brasileira em 2003 completou 50 anos, seu Jubilei de Ouro, em 2003 recebeu a certificação ISO 9001 e agora está em processo de certificação da ISO 14.001.
Por mais de quarenta anos Juarez Garcia teve influencia direta na direção da Luso Brasileira, mas atualmente ela está sob comando dos seus dois filhos mais velhos, Ricardo Garcia e Eduardo Garcia. A parte mais importante da empresa são os funcionários, a pirâmide deve ser virada de cabeça pra baixo. Se eles tiverem zelo e estiverem satisfeitos, tudo correrá bem. Não devemos ter funcionários mal humorados senão desanda -, comentou Juarez.
A empresa de Juarez Garcia começou pequena, atendendo a apenas quatro clientes, mas a visão à frente de seu presidente fez com que crescesse rapidamente. Depois a uma viagem aos Estados Unidos como convidado para uma Convenção Internacional de empresas de Manutenção Predial, o economista sentiu o que chama de seu ¨estalo profissional¨. Lá teve contato com o profissionalismo dos americanos e quis introduzir em sua empresa.
- Este foi o grande momento profissional de minha formação. No Brasil tudo era feito de forma artesanal e vi que poderia dar uma explosão de crescimento na indústria de serviços, tentando nos valorizar, até mesmo enfrentando autoridades. Eu estava lutando sozinho por isso, mesmo tendo uma empresa sem a mesma importância de outras maiores que não tinham o interesse em se profissionalizar -, explicou ele. Hoje, o perfil das empresas de manutenção predial é totalmente profissionalizado, mas foi preciso muito esclarecimento e ¨briga¨ de Juarez para mudar esse quadro. A medida que foi se afastando da Luso Brasileira, Juarez começou atuar ativamente com projetos na ACRJ, a partir de 1969. Em 1986 recebeu o título de benemérito. Durante a gestão de Paulo Protásio (1989), foi convidado a assumir o cargo de 1º vice presidente, onde permaneceu por mais três anos durante a presidência de Humberto Mota. Até dezembro de 1995, foi agraciado com o título de Grande Benemérito em razão dos serviços prestados à Casa. Fazendo um balanço final da sua vida, Juarez Garcia se considera um homem equilibrado, discreto e esforçado.
– Eu criei uma empresa e trabalhei sozinho durante vários anos. Vivi quando fui ser auxiliar de um engenheiro em meu primeiro emprego. Fui estudar à noite trabalhando de dia. Minha vida inteira foi muito ocupada. Não acho que a vida seja difícil, ela tem que ser encarada com seriedade, assim você supera a maioria dos problemas. Não se consegue nada sem luta, sem abnegação e sem disposição -, conclui sabiamente.


